A cena era inacreditavelmente...
Tentadora.
Uma composição de Mozart preenchia o cômodo em volume ambiente. As luzes estavam
apagadas e dois abajures de lâmpadas brancas formavam estrelas no teto. Pela
parede de vidro, as luzes distantes do London
Eye criavam sombras e monstros pelo quarto.
Fechou a porta em silêncio, mas parou
pouco ao lado dela e olhou para a cama de casal com um pequeno sorriso
satisfeito surgindo inconscientemente no canto dos lábios. Ela estava linda.
Sempre fora e provavelmente sempre seria, não podia negar, mas naquele
momento... Naquele momento ela era ainda mais inegavelmente sua.
Estava ajoelhada sobre o lençol branco,
bem na beirada da cama. Tudo o que vestia era preto. Nos pés ainda calçava um Louboutin de bico fino e salto médio e
deles se estendia uma meia 7/8 que delineava as pernas até o começo das coxas,
onde se ligava a uma cinta-liga rendada. Sua postura era perfeita e os braços
estavam esticados para as mãos se encontrarem na base das costas, unidas pelos
pulsos presos a uma algema de metal, o que realçava a curva delicada no centro
das costas e os ossos das clavículas, cobertos somente pelas alças de um sutiã.
O cabelo rosa era o único resquício de cor
existente no cômodo inteiro. Estava solto sobre os ombros, no corte que sempre
tivera: Repicado e naquele momento um pouco ondulado, bagunçado, daquele jeito
que a deixava muito mais sexy do que
os penteados maravilhosos feitos para a televisão. Uma venda de seda cobria os
olhos, amarrada na parte detrás da cabeça, e toda a ausência de cores realçava
a pele muito clara.
O preto e branco que sempre foram tão enlouquecedores não eram nada se comparados às cores daquela menina.
O preto e branco que sempre foram tão enlouquecedores não eram nada se comparados às cores daquela menina.